Gripe H5N8, pode se tornar uma nova pandemia?
Quase um ano e meio após a expansão do SARS-CoV-2 da cidade de Wuhan, na China, para o mundo, cientistas do mesmo país alertam para a necessidade de vigilância frente ao vírus da gripe aviária H5N8, a espécie tipo A do vírus influenza.
Dois especialistas chineses que identificaram o coronavírus chamam atenção para o risco do vírus H5N8. Em 20 de fevereiro de 2021, a Rússia relatou que, pela primeira vez, o vírus atingiu humanos. Sete trabalhadores se infectaram em uma granja com 900 mil galinhas poedeiras na região de Astracã, no sul do país. No entanto, nenhum deles apresentou sintomas.
O que é a gripe H5N8?
A gripe H5N8 é conhecida como “gripe aviária”. Trata-se da infecção de aves pelo vírus influenza, cujas cepas podem ser de baixa ou alta patogenicidade. Essa classificação depende da capacidade de provocar doença leve ou grave nesses animais.
Todas as aves podem ser infectadas, embora algumas resistam melhor que outras. A doença provoca sintomas variados, que vão de formas leves até infecções altamente contagiosas e fatais. Essa última, chamada “gripe aviária de alta patogenicidade”, começa de forma súbita, gera sintomas graves e pode levar rapidamente à morte, com taxa de mortalidade próxima de 100%.
Qual a sua origem?
Pelo menos 46 países da Europa, Ásia e África já notificaram surtos letais de H5N8 em aves. Pesquisadores chineses destacam que o vírus detectado nos sete trabalhadores russos pertence ao subgrupo 2.3.4.4b, que apresenta mutações “preocupantes” por aumentarem sua afinidade com células humanas.
Essa mesma variante levou ao sacrifício de mais de 20 milhões de aves na Coreia do Sul e no Japão, segundo George Fu Gao e Weifeng Shi. Para os especialistas, é essencial não ignorar a propagação global do H5N8 e seu risco potencial para aves de granja, aves silvestres e saúde pública mundial.
Pode ocorrer transmissão para humanos?
Segundo Ana Popova, diretora da agência de saúde Rospotrebnadzor, na Rússia, o vírus conseguiu cruzar a barreira entre espécies. Contudo, até o momento, essa variante não se transmite de pessoa para pessoa.
Ao todo, 46 países já registraram surtos do vírus em aves. Entre eles, a Espanha, onde encontraram três animais infectados, e a China, que relatou um foco em um parque natural de Nagqu, no Tibete.
A detecção de casos isolados não significa risco imediato à saúde pública. Estudos genéticos mostram que, por enquanto, trata-se de um vírus aviário sem afinidade específica com seres humanos.
Mesmo assim, a virologista Montoya Frisa alerta: “No momento em que surgirem mutações capazes de permitir a transmissibilidade entre humanos, o H5N8 pode se tornar uma nova pandemia”.
Por isso, as cientistas recomendam maior controle nas granjas, o não consumo de pássaros selvagens e a continuidade das pesquisas sobre o vírus. Dessa forma, será possível cortar pela raiz um potencial problema global futuro.
Referências:
